Bom, foi nas andanças em várias quebradas que cruzei a primeira vez com ele.
Andava sempre arrumado, camisa com botões, sempre aberta, um boné estilo Baiseball e uma corrente banhada com um pingente de Jesus.
A identificação foi imediata, curtia rap mas tinha vontade de aprender com a literatura, convidei para ir em casa, e me surpreendi quando no outro dia ele tava lá.
O apelido Nego Dú, era um resumo do seu nome Eduardo, conversamos por algumas horas, e ele ficou de voltar, na época revirou todos meus livros para pegar um emprestado.
Depois disso foi constante sua presença, chegava já falando em comida, minha mãe fazia o prato e quando eu não tava, era a mesma coisa, não sei explicar, mas minha mãe adorava ele.
Nego Dú era presença confirmada em todos os meus lançamentos, sempre tava com livros nas mãos, fazia parte de um grupo de rap chamado Realismo Frontal que mais tarde adotaria o nome de Negredo.
Com o Nego Dú eu gravei um especial pra a Record na laje de uma casa, que era um ponto de venda de drogas, casa essa mais tarde que de tanto agente encher o saco os caras largaram.
Foi aí que o Brown e o Negredo se apropriaram da casa e começara a pensar em fazer uma rádio.
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