Qual é a cara da roupa que os jovens de Campo Limpo, zona sul, querem vestir? O desenhista Leonardo de Caravalho, 22, foi a campo para descobrir quais tipos de vestimentas tinham maior popularidade e, dentro disso, como poderia ser criada uma grife que aliasse o gosto do jovem à reflexão.
por Gilberto Dimenstein
Qual é a cara da roupa que os jovens de Campo Limpo, zona sul, querem vestir? O desenhista Leonardo de Caravalho, 22, foi a campo para descobrir quais tipos de vestimentas tinham maior popularidade e, dentro disso, como poderia ser criada uma grife que aliasse o gosto do jovem à reflexão.
A maioria dos 300 entrevistados prefere o que se convencionou chamar “roupa de surfista”: caras, coloridas e estampadas. “Tentamos quebrar esse paradigma”, diz Leonardo, que é ilustrador. O resultado foi a criação da marca Nossa Cara. O objetivo é gerar renda local. Tanto que a iniciativa foi contemplada pelo projeto Geração MudaMundo, da Ashoka, que trabalha com empreendedorismo social focado nos jovens.
Leonardo é autor de boa parte das ilustrações que são impressas nas camisetas. Mas há também desenhos de jovens que participaram da oficina de serigrafia, promovida pelo Projeto Arrastão, um dos apoiadores. O desenhista foi o monitor.
Nos desenhos de Leonardo, um dos temas recorrentes é a influência da TV: ele tem várias ilustrações da telinha estilizada e se auto-enforcando. “Ela é um meio de comunicação muito didático, dá quase tudo pronto”, analisa.
Pontos fortes x pontos fracos Uma marca que sintetiza o que o jovem pensa é um dos pontos fortes destacados por Leonardo de Carvalho. “Os desenhos fazem um protesto silencioso, gerar imagens de reflexão. É olhar para a imagem e ir para casa pensando”. Não ter um ponto fixo de comercialização é um dos aspectos que precisam ser aperfeiçoados. Enquanto isso, há um blog para divulgar os desenhos.
Por conta disso, a grife ainda não foi oficialmente lançada. Num prognóstico positivo, a implementação ocorre até dezembro. “É difícil falar de uma comunidade como um todo, mas os jovens daqui têm consciência do que acontece. Eles se omitem, mas sabem dos problemas.”
Grife no Capão Redondo Em 1999, o rapper e escritor Ferréz criou a 1daSul, grife que se tornou símbolo do Capão Redondo, zona sul. Foi montada uma loja que só distribui produtos da marca (avenida Comendador Sant’anna, 138 – fone: 5870 7409).
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